Marcio Souza
"As Políticas Culturais Brasileiras:
Passado e Presente."

September 28, 2000

José Luiz Passos

José Luiz Passos is Assistant Professor of Luso-Brazilian literatures and cultures in the Department of Spanish and Portuguese at UC Berkeley. His primary research and teaching interest is ethics and the Brazilian realist novel. He is the author of Ruínas de Linhas Puras: Quatro Ensaios em Torno a Macunaíma (São Paulo: Annablume Editora, 1999) and many articles on 19th and 20th century Brazilian literature and social thought.

In English

Uma das relações de mais difícil equilíbrio no Brasil tem sido aquela entre intelectuais e o Estado. Além das contínuas tensões entre, de um lado, os críticos das políticas estatais de cultura e, de outro, os próprios intelectuais que atuam na administração das políticas culturais, existe um consenso-provavelmente compartilhado por outros países latino-americanos-de que o Estado deve exercer um papel ativo e constante no apoio a todas as manifestações da cultura nacional. Como Márcio Souza assinalou, no Brasil o sentimento geral que se mantém com relação à presença do Estado na promoção cultural é simultaneamente de esperança e desconfiança. Em outras palavras, embora a opinião seja de que o Estado sempre deve atuar através de políticas culturais nacionais, há historicamente uma ampla descrença na capacidade e nos objetivos dessas políticas propostas pelo Estado brasileiro. Não é sem motivo que a apresentação de Márcio Souza tenha iniciado precisamente por um episódio histórico sem paralelo e tão simbólico deste sentimento ambíguo com relação à função cultural do Estado: a transferência da corte portuguesa de Dom João VI para o Rio de Janeiro em 1808 por temor à invasão napoleônica. Pela primeira e única vez na história um reino europeu tem a sua família real, juntamente com a sua sede administrativa, radicada no Novo Mundo. As conseqüências para o Brasil são imediatas: o início de uma política de infra-estrutura cultural antes inexistente na colônia portuguesa. Uma política necessária-embora imposta de cima para baixo, como tem sido a tradição brasileira-para a tentativa de criar em meio a uma plebe inculta uma vida cultural que de algum modo espelhasse Lisboa.

Marcio Souza

Muito habilmente, Márcio Souza retratou as conseqüências e o desenvolvimento das políticas culturais brasileiras dos últimos 200 anos. As conquistas dos períodos de franco desenvolvimento cultural-especialmente entre a segunda metade do século XIX e a primeira do século XX, de acordo com Márcio Souza-foram ameaçadas pela ditadura militar (1964-1985) e pelo governo civil de Fernando Collor de Mello, responsável pela quase aniquilação das políticas estatais de fomento à arte, à cultura e ao ensino universitário. O Brasil tem em Márcio Souza um excelente escritor e um administrador cultural bastante ativo e otimista, espelhando em muitos sentidos o ethos administrativo do atual presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso.

CLAS Events
by semester

 
© 2007, The Regents of the University of California, Last Updated - August 14, 2003